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Resenha #380 Pachinko

Por Barbara em 25 set • 2021
25set • 21 drama, intrínseca, Literatura Coreana, literatura estrangeira, Min Jin Lee, resenha, Resenhas de Livros, Romance

Resenha #380 Pachinko

Título: Pachinko
Autor: Min Jin Lee
Editora: Intrínseca
Páginas: 528
Ano: 2020
Gênero: Romance / Literatura Coreana/ Literatura Estrangeira/ Ficção Histórica
Classificação: 5 estrelas

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Sinopse: No início dos anos 1900, a adolescente Sunja, filha adorada de um pescador aleijado, apaixona-se perdidamente por um rico forasteiro na costa perto de sua casa, na Coreia. Esse homem promete o mundo a ela, mas, quando descobre que está grávida ― e que seu amado é casado ―, Sunja se recusa a ser comprada. Em vez disso, aceita o pedido de casamento de um homem gentil e doente, um pastor que está de passagem pelo vilarejo, rumo ao Japão. A decisão de abandonar o lar e rejeitar o poderoso pai de seu filho dá início a uma saga dramática que se desdobrará ao longo de gerações por quase cem anos.

Neste romance movido pelas batalhas enfrentadas por imigrantes, os salões de pachinko ― o jogo de caça-níqueis onipresente em todo o Japão ― são o ponto de convergência das preocupações centrais da história: identidade, pátria e pertencimento. Para a população coreana no Japão, discriminada e excluída — como Sunja e seus descendentes —, os salões são o principal meio de conseguir trabalho e tentar acumular algum dinheiro.

Uma grande história de amor, Pachinko é também um tributo aos sacrifícios, à ambição e à lealdade de milhares de estrangeiros desterrados. Das movimentadas ruas dos mercados aos corredores das mais prestigiadas universidades do Japão, passando pelos salões de aposta do submundo do crime, os personagens complexos e passionais deste livro sobrevivem e tentam prosperar, indiferentes ao grande arco da história.

Olá galera! Finalizei a leitura de Pachinko e agora é hora de contar as minhas impressões sobre o livro, espero que vocês gostem e se interessem pela história, pois já vou logo adiantando que é maravilhosa!

Como boa dorameira que sou, a cultura asiática invadiu a minha vida após começar a assistir essas séries/novelas produzidas no leste europeu. A curiosidade se aprofundou para além das linhas de fã de atores, cantores e grupos e kpop, passou também para a cultura e literatura. Pachinko foi o primeiro livro que li de uma autora coreana e eu não estava preparada para o que encontraria ali.

A história vai começar na Coréia, no inicio do século 20. Vamos acompanhar uma família e com o passar dos anos, suas próximas gerações. Sunja é a personagem principal, mas antes de entrar na história dela, conhecemos seus pais e avós. Os pais de Sunja se uniram através de um casamento arranjado, algo muito comum até hoje por lá e não tão distante assim da nossa realidade. Yangjin e Hoonie se casam e após vários abortos conseguem ter Sunja, a jovem que seria filha única do casal.

Eles vivem em uma região costeira, trabalhando como donos de uma pensão e levando uma vida de trabalho árduo. Os anos se passam, Hoonie vem a falecer e as mulheres continuam levando a vida. Nesse período a Coréia sofria a dominação japonesa. Agora Sunja já é uma jovem e acaba conhecendo um homem que fazia negócios na região, Hansu. Eles se apaixonam e ela acaba engravidando, porém Hansu não pode assumi-la e ela decide por fim ao romance e dar prosseguimento a gravidez sozinha. Esse é um ponto de virada no livro, pois após essa decisão que a vida de Sunja vai mudar completamente.

Em paralelo, na mesma época, chega para se hospedar na pensão um jovem pastor chamado Isak, ele foi para passar apenas alguns dias enquanto seguia viagem para o Japão, onde iria viver com o irmão e a cunhada que tinham se mudado para lá, porém Isak adoece e acaba ficando mais tempo do que o planejado. Quando ele melhora e descobre o que aconteceu com Sunja, ele se oferece para casar com ela e assumir a criança. É o que acontece e pouco tempo depois eles estão indo para o Japão.

No Japão a realidade é completamente diferente e como uma família de coreanos, eles precisam enfrentar os mais diversos desafios e preconceitos para sobreviver e dar uma vida decente aos filhos. Nós vamos acompanhar a jornada de Sunja ao longo dos anos, de seus filhos Noa e Mosazu, até chegar a seu neto Solomon. E isso vou deixar para vocês conhecerem mais quando leram porque já dei muito spoiler por aqui rs.

Esse livro é magnifico, é interessante ver o ciclo de cada personagem e como as histórias e destinos vão se interligando de formas um tanto inesperadas, bem como a vida acontece. Pachinko é um livro sobre identidade, de se reconhecer como pertencente a algo e mais ainda, a um país. É sobre se questionar o que é pátria e como esse sentimento de nacionalidade é construído ao longo da vida, com a cultura e pessoas que te cercam e fazem com que você se enxergue pertencente aquele lugar.

Quando chega ao Japão, a vida da Sunja muda em 180°, ela vai viver numa cidade grande, num país onde não é bem recebida só por ser quem é e ainda falando uma língua que não era a dela. O preconceito é algo muito forte nesse livro, Noa e Mosazu vão enfrentar isso ao longo do crescimento e na escola, por não serem japoneses (o que ambos eram por terem nascido no Japão) eles eram considerados como inferiores. Os anos vão passar e essa visão não vai mudar, no mínimo será atenuada, mas na geração do Solomon, um rapaz que vai ter uma criação mais moderna e condições de vida superior a de seus pais e avós, ainda vai enfrentar preconceito.

Pachinko é um livro muito completo, é sobre amores, decisões que mudam vidas, arrependimentos e lições que a vida nos dá. É sobre identidade e perdão, sobre se descobrir e lutar para prosperar na dificuldade. A autora fez um trabalho esplendoroso e eu espero que vocês leiam e conheçam mais sobre essa história que vai te fascinar.

E ao final dessa resenha você deve estar se perguntando o motivo do livro se chamar Pachinko, o que é isso? Bom, Pachinko é um jogo muito popular, as pessoas apostam e jogam constantemente, era também operado por muito coreanos no Japão, uma das formas legais deles conseguirem enriquecer já que eles não tinham oportunidade de conseguir bons postos de trabalho. E o Pachinko vai mudar a vida da família da Sunja.

Bom, leiam e leiam e leiam. Vocês vão se surpreender com essa história e eu tenho certeza que ela vai ficar com vocês por bastante tempo. Até breve!

Assista a resenha em vídeo!

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