
Título: Eu sei por que o pássaro canta na gaiola
Autor: Maya Angelou
Editora: Astral Cultural
Páginas: 336
Ano: 2018
Gênero: Autobiografia/ Não ficção / Literatura Americana/ Literatura Estrangeira
Classificação: 5 estrelas
Sinopse: Racismo. Abuso. Libertação A vida de Marguerite Ann Johnson foi marcada por essas três palavras. A garota negra, criada no sul por sua avó paterna, carregou consigo um enorme fardo que foi aliviado apenas pela literatura e por tudo aquilo que ela pôde lhe trazer: conforto através das palavras. Dessa forma, Maya, como era carinhosamente chamada, escreve para exibir sua voz e libertar-se das grades que foram colocadas em sua vida. As lembranças dolorosas e as descobertas de Angelou estão contidas e eternizadas nas páginas desta obra densa e necessária, dando voz aos jovens que um dia foram, assim como ela, fadados a uma vida dura e cheia de preconceitos. Com uma escrita poética e poderosa, a obra toca, emociona e transforma profundamente o espírito e o pensamento de quem a lê.
Esse foi o meu primeiro encontro com a Maya Angelou, não tinha lido suas poesias, não a tinha visto declamar nenhum de seus textos, ela era uma completa desconhecida até ler esse livro.
Nosso encontro aconteceu em um sebo, minha amiga Marina costuma dizer que os sebos são mágicos/interessantes porque muitas das vezes o livro que nos escolhe e não o inverso rs. A gente começa a vagar, a folhear, um título chama a atenção e quando você menos espera ele se torna uma das suas leituras favoritas da vida… Foi mais ou menos assim com esse livro.
Eu sei por que o pássaro canta na gaiola vai nos contar os primeiros anos de vida da Maya, é uma autobiografia onde ela narra fatos marcantes que contribuíram para que ela se tornasse a pessoa que é. Eu quero destacar alguns desses momentos, nem todos incríveis e maravilhosos, muitos de apertar o coração e outros pra nos fazer sorrir e lembrar do meme “a vida presta” rs.
Tudo começa com ela e o irmão indo morar com a avó paterna e o tio, eles são muito pequenos e chegam na casa dessa senhora que se torna responsável pela educação e cuidados dele. Essa avó é uma das figuras mais fortes do livro, uma mulher bem tradicional, religiosa, não expressava tanto afeto, mas nunca foi indiferente. É nessa cidade pequena do interior do sul dos Estados Unidos que Maya vai viver vários episódios de racismo direcionados a ela ou a seus familiares e amigos – esse é um ponto muito forte no livro: racismo e segregação.
Mas Maya não vai ficar para sempre com a avó, ela e o irmão vão passar uma temporada com a mãe em outra cidade e lá eles vão viver novas experiências, conviver com a família materna meio gangster rs e novamente a nossa protagonista vai viver uma das experiências mais traumáticas de sua vida que é o abuso sexual. Ler isso no livro foi bem difícil, como naturalmente seria, mas acho que me peguei somando todas as desgraças que essa menina já tinha vivido em uma fase tão jovem da vida e agora mais essa. Essa violência é um divisor de águas na vida de Maya e a forma como ela se relacionava com as pessoas a sua volta muda de forma radical, um exemplo é que seu irmão era a única pessoa com quem ela falava.
A relação com o irmão é uma das partes mais bonitas do livro, ele era o porto seguro dela, a pessoa em quem mais confiava era a certeza que ela tinha nessa primeira fase da vida.
Nesse período ela volta a morar com a avó paterna e acredito que isso ajudou muito ela a se curar e a lidar com esse trauma e as consequências dele, é também nessa época que ela conhece a Miss Flowers, uma figura muito importante para consolidar o amor de Maya pela poesia. É interessante que ela sempre foi apaixonada pela literatura e fica claro que esse amor influenciou seu olhar e obviamente a sua escrita.
Ao longo do livro vamos acompanhar muitos outros momentos da vida da Maya, seu relacionamento conflituoso com a mãe e o pai, o período em que morou com ambos e com as famílias que eles criaram após a separação, esse constante vai e vem de casas, lares e a falta de estabilidade que ela e o irmão viveram.
Outro ponto que eu preciso comentar mais aqui é a questão racial. Ela era uma criança negra e que foi criada numa parte da cidade de maioria negra, não existia relacionamento com as pessoas brancas, e em relacionamento eu me refiro a amizade ou respeito, e isso é irônico porque a avó materna da Maya era branca e quando ela vai conviver com esse lado da família ela vivencia um outro lado da moeda. É bem interessante.
Em diversos momentos a autora traz esse tema e exemplifica o que é ser negro no sul dos EUA em um período de segregação, como se faz para manter a honra e dignidade, para se fazer ser respeitado e conquistar o que lhe é de direito como ser humano. É profundamente tocante, dolorido e real e que ativou diversos gatilhos em mim por se tratar da minha realidade, obviamente em um período diferente, mas onde ainda vivemos o racismo, em alguns casos de forma velada e outras mais escrachadas – um crime em ambos os casos.
Eu fiz um vlog sobre as minhas percepções da leitura, enquanto lia ia gravando e registrando os momentos, o vídeo está logo abaixo. Deixo também para vocês um bate-papo que participei com Marina, nós lemos o livro juntas e depois gravamos no canal dela, espero que vocês gostem e principalmente leiam o livro.
Fica a dica!
Vlog do livro
Conversa sobre o livro

















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